Quais as qualidade que mais definem o Feminino? Intuição. Não importa se somos mulheres ou homens, O Feminino está em todos nós assim como o Masculino. Sabe aquela frase: isto está me cheirando mal ou algo me diz que … É isso mesmo! A intuição é instintiva! Só que para que possamos ser um receptáculo para ela que ela nos “atravesse”, precisamos abrir espaço. E é aí que a coisa complica!
A autora e analista Junguiana Clarissa Pinkola Estés no livro “Mulheres que correm com os Lobos” nos fala sobre a necessidade primordial de infundir nas mulheres o poder instintivo básico da “Mulher Selvagem”: a intuição. Segundo ela, depois de observar por muito tempo a vida dos lobos, ela concluiu que “os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção”. E em que momentos geralmente nos damos ao “luxo” de vivenciarmos estas qualidades? Houve uma época em que as mulheres reconheciam seu próprio valor, se apropriavam de seu poder com sabedoria, honravam seus ciclos, cuidavam uma da outra, e todas eram guardiãs das crianças.  Não se trata aqui de retornarmos ao modelo antigo, mas de acordarmos códigos e chaves Femininas Ancestrais para que possamos viver com mais equilíbrio, menos sobrecarregadas e hipnotizadas pela ilusão que precisamos ser tudo para todos o tempo todo. Outro dia uma paciente me contou que estava em casa no fim de semana e a única coisa que almejava após uma semana intensa era sentar em seu jardim e curtir aquele dia lendo o seu livro preferido. Em certo momento o marido lhe pediu que cozinhasse um certo prato que não lhe atraía nem um pouco preparar, principalmente naquele dia tão esperado, coisa rara nestes tempos! Em outro momento ela teria cedido ao pedido quase que automaticamente, mesmo sem a menor vontade de fazê-lo. Com sua “Mulher Selvagem” mais desperta, respeitou sua vontade e lhe disse não, isenta de qualquer manifestação de culpa! Tal qual não foi sua surpresa quando ele entrou na cozinha e foi preparar o alimento sem o menor stress!
A escritora americana Camille Paglia em suas entrevistas tem se pronunciado a respeito do total isolamento das mulheres e o prejuízo desse comportamento para a saúde emocional. Às vezes pergunto a algumas delas nas sessões de psicoterapia sobre o que elas gostam, o que as fazem vibrar, e muitas não sabem responder, estão desligadas de si mesmas, da sua própria fonte, da possibilidade de vivenciar as graças da vida, sejam elas sua dança, sua arte, sua oração, seu descanso, seu silêncio, sua devoção a algo, sua paixão, seu encantamento, seu prazer, sua capacidade de curar, sua oferenda de seu talento ao mundo. Precisam ser sempre “boas o suficiente” e como não encontram o tal “suficiente” acabam se submetendo ao que está estabelecido. Muitas vezes, por medo de assumir o não, colocar limites para o outro, acabam por limitarem-se e privarem-se da abundância e generosidade da vida. A “vigilância” da célebre frase de Jesus “vigiai e orai” se torna necessária quando nos afastamos das nossas águas profundas, da capacidade de agir de acordo com a nossa capacidade interior de perceber a verdade. Pânico, tédio, depressão, bloqueio da criatividade, estagnação, crises de ansiedade, stress e uma série de prejuízos psíquicos que hoje acometem muitas mulheres, podem estar em muitos casos, relacionados com uma certa negligência da mulher em relação à sua própria verdade.
Observo muitas mulheres desligadas de sua natureza instintiva, orientadas para a busca neurótica de viver o que é “certo”, “correto”, “perfeito” e pagando um preço enorme no que diz respeito à sua vitalidade, auto – expressão, talentos, sonhos e aspirações mais profundas.
Que outros desequilíbrios precisam acontecer para que comecemos a criar novas opções de vida mais condizentes com as nossas necessidades? Despertai Mulher!!!!

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